Fomos ao Akimatsuri de novo
Fomos ontem ao Akimatsuri, o festival de outono japonês transplantado para a linda terrinha de Mogi das Cruzes. Desde que nos mudamos para área, tiramos um dia de abril para visitar o evento: são dois finais de semana em um canto mais afastado da cidade, onde montam várias barraquinhas relacionadas a cultura japonesa e tocam modestas festividades e cerimônias, como o tōrō nagashi (灯籠流し) ao cair da noite.
A cada ano, optamos por uma data diferente para ir, e hoje escolhemos o último dia, devido a algumas incompatibilidades de cronograma com as outras opções. Ficam algumas lições para os próximos anos:
- O motorista do Uber nos disse assim que entramos: "Vão encarar mesmo o festival?", o que nos fez nos entreolharmos de nervoso. O trânsito na área estava tenebroso, mas dentro não parecia exatamente mais cheio do que quando fomos nos outros anos.
- Acho que o meta mesmo é ir mais tarde no dia. Saímos de casa por volta das 15h e, como eu disse, não foi tão problemático quanto poderia ter sido. Fomos embora por volta das 18h, e o clima estava bem ameno e o público já parecia minguar um pouco mais. Acho que termina por volta das 22h nesse dia de encerramento. Cogito, ano que vem, tentar ir por volta do fim da tarde, para pegar um tempinho bom e pouca muvuca no interior. O que me leva ao próximo ponto:
- Estava bem abafado nos interiores. Ponderei se este ano tentaria participar da barraquinha de cerimônia do chá, mas estava insuportável lá dentro. O que, pensando bem, talvez deixasse a experiência mais legítima. Já viram como era a cerimônia do chá no século 16?

- Tem alguns brinquedos infláveis para a criançada se divertir também. Ano passado, nosso filho brincou em dois deles, caiu a pressão e passou mal, a ponto de termos que carregá-lo para a tendinha de enfermaria até ele conseguir se hidratar e voltar ao normal. Este ano, bem... aconteceu exatamente a mesma coisa de novo. Ou aquele brinquedo inflável está amaldiçoado, ou tem alguma coisa a ver com as condições do evento, já que isso não acontece em nenhum outro lugar. Talvez seja o caráter abafado do evento. Ou por brincar em vários brinquedos infláveis em rápida sucessão. Já estamos pensando em uma estratégia para evitar uma terceira dose no ano que vem.
- Percebi que já não tenho ouvido nem disposição para ficar perto do palco de apresentações. O taiko é até legal de ouvir de longe, mas de perto eu só quero dar o fora o mais rápido possível.
- O polo gastronômico em geral é o grande queridinho do evento, sendo bizentas opções diferentes de comida japonesa. Ano passado desistimos de comer lá por conta da imensidão das filas, mas este ano (talvez pelo horário) estava até suportável. Provei pela primeira vez um esperto de blend de wagyu. É gostosinho à beça.
- Fomos embora dando a volta pelo lago onde ocorreu o tōrō nagashi nos dias anteriores, em vez de seguir o caminho básico. É engraçado que após transitar entre a cheiura do evento principal, um dos pontos altos para nós tenha sido uma caminhada idílica à margem da água que refletia o poente, com a brisa farfalhando a mata ao redor. De inspirar um fôlego mais fundo, um suspiro tranquilo e um sorriso no rosto.

Ano que vem tem mais.